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Você está aqui : Home » Geral, Últimas Notícias » VIII Festival de Cultura de São João do Arraial um dos maiores projetos culturais do Piauí

Promover cultura ainda é caro e como qualquer investimento público, sofre um rigoroso processo de fiscalização e demora tempo para cair no gosto popular, mas trás resultados positivos, impactando na geração de renda, movimentando a economia local e tudo isso é sentido na melhora da autoestima da população. São esses os efeitos que se pode perceber na pequena cidade de São João do Arraial, durante a realização do Festival de Cultura – Arraiá para Todos, realizado de 19 a 23 de junho, um dos maiores espetáculos culturais da região norte do estado.

Depois de ter realizado 7 festivais, a equipe organizadora já está treinada e parte dos equipamentos, materiais de ornamentação ainda podem ser reaproveitados, mesmo assim a Prefeitura estima num investimento direto em torno de 140 mil reais para os 5 dias de festival. Somam-se a este valor, os custos com pessoal de apoio em segurança, saúde, limpeza, manutenção e serviços gerais, são funcionários públicos ou contratados que são escalados para o evento. E a conta é simples, se multiplica o trabalho, na mesma proporção aumenta o que esses trabalhadores tem a receber.

Mas se por um lado exige todo esse investimento, o festival também gera renda e traz lucro pra muita gente. Na parte interna cerca de 34 barracas foram levantadas e outras 50 se agregam e se instalam do lado de fora, para atender um público estimado entre 3 e 5 mil pessoas por noite. São pessoas que vem dançar, comer, beber, comprar artesanato, treinar tiro ao alvo nos bombons de chocolate ou apenas tirar uma fotografia do filho montado num cavalinho de brinquedo, mas todos gastam algum dinheiro no festival.

Dinheiro que já está gerando lucro para o barraqueiro, Francisco Rodrigues, que chega a apurar até 1.200 reais por noite e para dona Marinalda Mesquita, vendedora de mingau, creme de galinha e guloseimas típicas do período junino e que já vendeu mais de 300 reais em 3 dias e quer sair do festival com mais ou menos um salário mínimo extra nas contas da família. Do mesmo modo da vendedora de mingau, o evento abre espaço para os grupos de economia solidária, mulheres que fabricam artesanato e vendem produtos como o mesocarpo do babaçu produzido pelas quebradeiras de coco da região.

Os investimentos para o festival repercutem também na economia regional

Mas a economia que faz girar um evento desse porte não está só na cidade. Antes de começar o espetáculo, toda estrutura de palco, som, iluminação que veio de fora gerou renda para trabalhadores de outras cidades vizinhas. Chama a atenção os belos e caros figurinos das quadrilhas, são roupas que custam em média de 10 a 12 mil reais para serem produzidas, como a quadrilha “arraiá dos matutos”, da cidade de Batalha, o grupo pagou exatos 15 mil reais para empresa de costura. E num festival onde reuniu quase 50 quadrilhas entre as que vieram competir e as convidadas, com mais de 700 artistas que de algum modo, muito ou pouco também investiram, compraram tecido ou pagaram serviços e fizeram circular a economia.

Promover a cultura ainda é muito caro, principalmente quando se trata de uma cidade pequena, cujas receitas públicas são basicamente de transferências da União como o  Fundo de Participação dos Municípios – FPM. Mas em São João do Arraial, a organização começou há 8 anos atrás e hoje a parceria público privada, agentes financiadores, bancos oficiais, mas principalmente a parceria com as pessoas que apostam na cultura como um investimento capaz de gerar renda, trazer lucro e quando é compartilhada, absorvida pela população faz gerar cidadania, melhorar a autoestima da povo.

Autoestima percebida por João Claudio Moreno, que participou do festival.  “Se você escutar dois sanjoanense conversando sobre sua cidade, París e Nova Iorque viram favelas, é fichinha se comparada a Saõ João do Arraial”. A opinião em forma de piada expressada pelo humorista piauiense, certamente chegará em outras paragens e assim a cidade estará exportando uma riqueza bem maior, a auto estima do povo, valores que não tem preço e talvez seja  por isso mesmo que investir em cultura seja tão caro, mas compensa.

Por Albano Amorim





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